Família busca por atendimento para o garoto de apenas 7 anos, que começou a apresentar crises convulsivas por causa do tumor, há quatro meses.

Menino tem crises convulsivas desde a descoberta do tumor Arquivo pessoal Um menino de 7 anos com um tumor cerebral raro espera há cerca de quatro meses por uma consulta com um neurologista em Praia Grande, no litoral de São Paulo.

Segundo a família, desde fevereiro, quando foi descoberta a presença de um lipoma no cérebro de Allan Júnior da Silva Kolarik - uma espécie de massa de gordura -, ele apresenta crises convulsivas.

A mãe luta para conseguir um encaminhamento com um especialista.

O lipoma intracerebral é um tumor benigno constituído por tecido adiposo (gordura) e corresponde entre 0,01% a 0,06% de todos os tumores cerebrais, conforme informou o neurocirurgião João Luis Cabral.

Segundo o especialista, ainda não há informações concretas sobre a causa do aparecimento desse tipo de tumor.

“Nem 1% dos tumores cerebrais são lipomas.

Ainda não se sabe a causa, somente que ele tem uma parte hereditária muito pequena", explica Cabral. Segundo a mãe, Maria Luciana da Silva, Allan teve a primeira convulsão em fevereiro, enquanto passava as férias escolares na casa da avó em Catanduva, no interior de São Paulo.

“Ele nunca teve problema nenhum, nem convulsão e nem nada.

De repente ela (avó) me ligou falando que tinha saído correndo com ele, pois ele havia tido uma convulsão de manhã”, conta.

No momento em que chegou para o atendimento, o menino teve outra crise e a equipe médica não quis liberá-lo no mesmo dia, conforme conta Maria.

Ele ficou internado por nove dias, nos quais foi submetido à exames, que comprovaram a presença do lipoma cerebral de 1,7 centímetro.

Segundo a mãe, o acompanhamento de Allan tem que ser feito a cada seis meses para acompanhar a evolução do tumor. Tumor cerebral tem 1,7 centímetros Arquivo pessoal “Voltei para Praia Grande e passamos em um pediatra, onde consegui os remédios para as convulsões”, afirma.

Conforma explicou o especialista Cabral, a medicação prescrita para quem tem esse tipo de tumor é somente para os sintomas, como a convulsão.

O único tratamento é a cirurgia, em casos de pacientes que apresentam crescimento da massa de gordura. “Primeiro, é preciso ver a região do tumor.

Se há risco ou não de mexer.

Segundo, que é o parâmetro principal, é se o lipoma estiver crescendo.

Se sim, tem que retirar, porque um hora vai comprimir o cérebro a ponto de dar déficit motor, epilepsia, cefaleia e por aí vai.

O parâmetro de retirada cirúrgica do lipoma é se ele estiver crescendo.

Se ele estiver estacionado, então não se mexe”, explica Cabral.

Agora, a luta de Maria é para conseguir uma consulta com um neurologista, para avaliar a situação em que o tumor se encontra nesse momento.

"Desde o dia 13 de março para marcar a consulta e não conseguiram.

Meu filho teve uma convulsão faz 15 dias, saí correndo com ele para a UPA Samambaia.

Chegando lá, o médico praticamente me maltratou.

Ele só medicou e eu saí do hospital”, relata Maria.

Nesta quarta-feira (8), a mãe informou que seguiu até a Secretaria de Saúde em busca de informações e conseguiu uma nova consulta com um pediatra.

Segundo ela, o médico encaminharia novamente a criança para um especialista, mas desta vez com urgência.

“Não está resolvido.

No pediatra ele já passou.

Estou perdida, não sei nem que tratamento ele deve seguir.

É uma coisa séria, eu nem durmo direito mais”, desabafa.

O G1 questionou a Secretaria de Saúde de Praia Grande a respeito do caso, no entanto, até a última atualização dessa reportagem, não obteve retorno.