Em entrevista à Globonews, o ex-ministro da Justiça falou sobre discordância com o presidente sobre o decreto que facilita a posse de armas no país e do arrependimento por não ter contestado mais a medida.

Moro fez um balanço de sua atuação como Ministro da Justiça Reprodução/Gnews O ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, fez uma autoavaliação e afirmou que hoje teria uma conduta diferente durante a gestão à frente da pasta.

Dois dos temas considerados sensíveis e de discordância entre ele e Bolsonaro foram a política armamentista do governo e a transferência do Coaf - órgão que controla movimentações financeiras - para o Ministério da Economia.

'Talvez eu pudesse ter me insurgido mais', disse sobre o decreto que facilitou a posse de armas. A afirmação foi feitas durante o Globonews Debate na noite de domingo (5).

Na ocasião, ele foi questionado sobre erros que teria cometido como ministro.

Ele exerceu a função até abril, quando pediu demissão após a troca do diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo, sem seu consentimento. Veja aqui os vídeos da participação de Moro no programa da GloboNews Sobre facilitar o acesso da população à armas, Bolsonaro diz que 'concorda até determinado nível', mas avalia que a política pode virar um problema de segurança pública.

"Acho que flexibilizar a posse de arma em casa mais é algo aceitável, mas acima de determinado ponto vc começa a gerar uma política perigosa porque esses armamentos podem ser desviados para o crime e vc não tem rastreamento adequado", justificou. Ele reafirmou que embora não tenha sido o responsável por essa política, que foi tema de campanha do presidente, acredita que 'talvez pudesse ter insurgido mais profundamente em relação a isso'. "Como ministro, ainda que você tenha reservas de determinados temas, você não pode se opor publicamente a tudo, e meu foco era principalmente avançar na política anticorrupção e nesses últimos meses preservar a autonomia da PF", disse. Sobre o Coaf, ele lamentou que após o órgão ter sido restruturado e fortalecido, tenha sido transferido ao Ministério da Economia e, consequentemente, ao Banco Central.

"Acabou [que com essa mudança] foi trocado o presidente do Coaf, que era a pessoa que eu tinha indicado.

Acabei me conformando com aquela transferência", lamentou. "Vendo retrospectivamente, acho que eu não teria feito isso, teria tentando trabalhar mais internamente ali pra manutenção do meu nome na presidência do Coaf na época.

Não que o atual nome não seja bom, aliás é muito competente, mas ali também não tinha razão para tirar o nome que eu indiquei.

Foi um enfraquecimento ao meu ver já nessa política anticorrupção", afirmou Moro. Apesar das queixas, o ex-juiz considera que sua gestão foi positiva.

"Toda atuação do homem público está sujeita à críticas e a gente tem que aceitar, e eventualmente reconhecer erros, mas posso dizer que tentei fazer o meu melhor", concluiu.